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Sexta-Feira, 23 de Abril de 2021 12:09

FOGO NO STF - Ministro Barroso diz que Gilmar Mendes manipula a jurisdição

“Vossa Excelência cobra dos outros o que não faz. (...) manipulou a jurisdição (...) depois vai e acha que pode ditar regra para os outros”, disparou Barroso contra seu colega
Autor: José Boas

BRASÍLIA – Durante a avaliação das ações da Operação Lava-Jato e as ações do ex-Juiz Sérgio Moro no julgamento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes elevaram o tom da discussão e começaram um verdadeiro bate-boca no Plenário do STF – Supremo Tribunal Federal – obrigando o presidente da Casa, ministro Luiz Fux, a encerrar a sessão.

BARROSO X LEWANDOWSKI – Em sua fala, o ministro Ricardo Lewandowski relatou o disse que há falhas na condução da Operação Lava-Jato, citando inclusive as suspeitas de que organismos internacionais de inteligência tenham colaborado na busca de provas para incriminar os acusados. Para ele, as falhas são graves: “Não estamos tratando de pecadilhos. Estamos tratando de pecados mortais, que constitui colaborações à margem da lei brasileira com autoridade estrangeira”.

Neste instante o ministro Barroso rebate: “Vossa Excelência acha que o problema então foi o enfrentamento à corrupção, e não a corrupção?”.

Lewandowski então mostra-se incomodado com a questão do colega e responde: “Vossa Excelência sempre quer trazer à colação, à baila a questão da corrupção, como aqueles que estivessem contra o modus operandi da Lava-Jato fossem favoráveis à corrupção. Mas o modus operandi da Lava-Jato levou a conduções coercitivas, a prisões preventivas alongadas, ameaças a familiares, prisão em segunda instância, além de outras atitudes a meu ver incompatíveis com o Estado democrático de Direito”.

BARROSO X MENDES – Barroso acusou Gilmar Mendes de manipular a jurisdição e de “sentar em cima” dos processos, pautando-os segundo suas conveniências. 

Ao ser chamado de moralista por Mendes, Barroso respondeu: “Vossa Excelência sentou em cima da vista por dois anos e ainda se acha no direito de ditar regra para os outros (...) Não tem moralismo nenhum. Vossa Excelência cobra dos outros o que não faz. Fica criticando o ministro Fachin depois de ter levado dois anos com o processo embaixo do braço, esperou a aposentadoria do ministro Celso, manipulou a jurisdição. Ora, depois vai e acha que pode ditar regra para os outros”.

“Vossa Excelência perdeu, perdeu”, rendeu Gilmar.

FUX ENCERRA A SESSÃO – Diante do clima tenso e tendendo ao descontrole, o presidente da Suprema Corte, Luiz Fux, diz aos seus colegas que, apesar de não gostar da prática de cassar a palavra, terá que encerrar os trabalhos: “Me perdoem, não gosto de cassar a palavra de ninguém, não gosto de cassar as palavras dos colegas, mas está encerrada a sessão”, decretou, cortando o microfone dos ministros.

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