CRÔNICA: O “Fiasco de Sidney” impulsionou o Brasil a melhorar desempenho nas olimpíadas

Segunda-Feira, 09 de Agosto de 2021 19:43

CRÔNICA: O “Fiasco de Sidney” impulsionou o Brasil a melhorar desempenho nas olimpíadas

Apesar dos avanços, Brasil ainda está muito distante da realidade esportiva dos países de ponta como Estados Unidos, China e Rússia

REDAÇÃO – Quem viu o desempenho do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que acabaram no último domingo (08), mal sabe que o recorde de medalhas conquistadas em apenas uma edição do evento só foi possível após a mudança de uma mentalidade que ainda permeia muito do mundo esportivo nacional.

A partir do “Fiasco de Sidney”, em 2000, quando o País não conseguiu sequer uma só medalha de ouro, o Comitê Olímpico Brasileiro e o Governo Federal assumiram responsabilidades sobre os resultados do Brasil em competições internacionais e criaram uma política de apoio a atletas de alto desempenho, investindo em uma política de preparação por ciclo, com os olhos voltados para as próximas olimpíadas. 

O FIASCO – O Fiasco de Sidney diz respeito à participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sidney (Austrália), quando o País terminou a competição na 53ª posição no quadro de medalhas, sem nenhum ouro, apenas 6 medalhas de prata e outras 6 de bronze, apesar de contar com grandes nomes e promessas em diversas modalidades. O resultado foi tão ruim que os atletas brasileiros ficaram atrás, no resultado geral da competição, atrás de Moçambique, Argélia, Indonésia e Bielorrússia, por exemplo.

Depois disso, diversas empresas estatais como Correios, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil, passaram a investir em equipes e atletas com bom desempenho em competições internacionais. Outra medida foi incorporar outros competidores às Forças Armadas, oferecendo, além de salário fixo, estrutura para treinamento que, se não estava em pé de igualdade ao existente em outras nações, tampouco poderia ser comparado à total falta de qualidade anterior.

OLIMPÍADAS E GEOPOLÍTICA – Principalmente após a 2ª Guerra Mundial, os países com economia mais avançada começaram a usar o podium olímpico como um símbolo de sucesso social e econômico. A luta pelos melhores postos no quadro geral de medalhas, capitaneada por Estados Unidos e a Ex-União Soviética, colocava modelos políticos e financeiros como peças principais de um jogo que se disputava em campos, piscinas, quadras e pistas.

Desta forma, a conquista de cada medalha dava ao país maior visibilidade sobre os demais, em todas as áreas: ciência, tecnologia, educação, inclusão social, economia... ficar para trás nesta guerra representava, por outro lado, ter que conviver com o rótulo de periferia ou hipossuficiência em todas estas áreas, como sempre foi o caso do Brasil, inclusive.

EDUCAÇÃO E OLIMPÍADAS – O padrão verificado entre todos os países que conquistam o maior número de medalhas nos Jogos Olímpicos está na forma com que as modalidades esportivas são associadas à qualidade e o tempo que os alunos passam dentro das unidades educacionais, do Ensino Fundamental à Universidade. Tomando como comparativo novamente a dicotomia entre Estados Unidos e os países da ex-União Soviética, é notável como a prática de esportes olímpicos é incentivada e como os atletas com potencial são tratados, principalmente a partir do Ensino Médio, ganhando bolsas de estudo e até salário para que possam treinar e melhorar seu desempenho.

Veja a evolução do Brasil a partir dos Jogos Olímpicos de Sidney – 2000 no gráfico abaixo:

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