Israel mantém investimento em educação como prioridade

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Por R7 em 31 de Outubro de 2017 ás 04:58

A formação do Estado de Israel ocorreu em grande parte por causa do planejamento de um sistema educacional abrangente e plural. Mas isso não foi feito apenas por causa das diretrizes governamentais.

A notícia de que a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), no último domingo (29), denunciou a construção de um túnel clandestino, sob uma escola da entidade voltada para crianças de Gaza, foi vista com preocupação em Israel. O objetivo era de atacar o país, o que indica que, realmente, a verdadeira educação na região tem sido menosprezada por grupos armados locais.

A própria ONU, muitas vezes criticada por Israel, desta vez considerou a situação deplorável. O lugar, afinal, se tornou um alvo militar e, por causa desta atitude insana, a segurança de todos os alunos acabou ficando ameaçada.

O argumento de que a baixa qualidade de vida, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, impede um melhor nível educacional, muitas vezes acaba colaborando para que a situação difícil dos palestinos se perpetue.

Porque há como mudar o mundo se a educação for a prioridade de uma sociedade. A boa - e verdadeira - educação forma homens e mulheres conscientes, mais preparados para lidar com diferenças, deixando de lado a visão radical para entender um pouco melhor o outro lado.

A história israelense está vinculada a uma obsessão pela educação. Era prioridade do governo desde os primeiros anos da Independência. Nos anos 80, o percentual do PIB investido no setor chegou a 8,6%. Atualmente o valor caiu para 5,6%, mas continua sendo considerado alto e visto como importante investimento.

Claro que há casos de radicalismo também do lado judeu. Mas, de uma maneira geral, acuados como sempre foram nos tempos de Europa, os judeus que vieram morar em Jerusalém, por exemplo, viviam sob grandes dificuldades financeiras nos anos 30 e 40.

As luzes das pequenas casas, incrustradas quase nos subsolos, com janelas que possibilitavam ver os pés dos transeuntes, eram tênues. As refeições eram controladas, muitas vezes até racionadas.

Economizava-se querosene dos lampiões, para que o combustível durasse mais tempo e evitasse um gasto maior. As casas, muitas formadas por dois quartinhos (um deles fazendo as vezes da sala durante o dia) eram apertadas, cubículos.

Mas em cada uma delas, a cultura adquirida nos guetos do leste europeu, onde muitos estudaram e até se formaram, resplandecia em livros amontoados do chão ao teto, nos parapeitos das janelas, sobre escrivaninhas.

Desta maneira, tornou-se natural o acesso direto das crianças à escola, em uma época na qual Jerusalém estava sitiada por milícias árabes. Mesmo sob ameaça de tiroteios, os pequenos se dirigiam aos locais para estudar, inclusive nos bairros mais pobres, como o de Kerem Avraham.

E esse embrião cultural ajudou a florescer um estado democrático, a partir de tempos difíceis, sem que, no entanto, a Educação fosse deixada de lado.

Assim cresceu o escritor Amós Oz, morador daquele bairro. Viveu em uma atmosfera díficil, mas que o ajudou a condensar todo o conhecimento observado em seus familiares e nas personalidades da época, com as quais interagiu, como os escritores Shmuel Agnon (vencedor do Nobel de Literatura em 1966) e Saul Tchernikowski, que renovou a poesia em hebraico. Sem se esquecer da importância de seus professores.

Atualmente, Israel mantém a obrigatoriedade de uma criança entrar na escola até os cinco anos e nela permanecer até os 16, até um tempo atrás totalmente financiada pelo governo. Essa base forte abriu espaço para universidades fortes, que recebem pesados investimentos, formação de profissionais de alto nível em diversas áreas, desde as humanas até as científicas. Em 2012, pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico colocou o país em segundo lugar no ranking de escolaridade, com 46% da população adulta tendo formação superior.

Isso, certamente, fortaleceu a alma do país e o faz avançar. Mas educação não requer apenas o conhecimento cultural. Muitos assassinos e corruptos, afinal, podem ser doutores e pós-graduados. Educação plena requer a noção de si mesmo e do outro. Tem de haver a ligação entre ambos. E, nesse caso, até poderia ser um túnel.