Tenente Ledur tenta a promoção pela 6ª vez; chances crescem após ser inocentada

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Por RDNews em 13 de Maio de 2019 ás 06:57

A tenente Izadora Ledur, acusada da morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, tenta, pela sexta vez, ser promovida ao posto de capitão do Corpo de Bombeiros. Desta vez, as chances para ela conseguir a promoção  são consideradas grandes, após o Conselho de Justificação da Corporação considerar, em fevereiro passado, que ela está apta para permanecer na instituição. A resposta sobre a possível progressão de carreira deverá ser dada em menos de um mês. Isso porque as próximas promoções do Corpo de Bombeiros serão oficializadas em 2 de junho.

Nas tentativas anteriores, os pedidos para progressão de carreira de Ledur não foram acolhidos pela Comissão de Promoção de Oficiais (CPO), porque ela respondia ao procedimento administrativo referente à morte do aluno.

Na lista de promoções, são incluídos os nomes de todos os oficiais aptos a receber promoção. Em casos anteriores, em razão do procedimento que respondia, Ledur foi desclassificada logo na segunda etapa do procedimento, em que são excluídos os que não atendem a todos os requisitos para a bonificação.

Desta vez, porém, ela foi classificada até as fases seguintes. Ela passou por exames e os procedimentos necessários para que a CPO avalie se ela está apta para subir de posição.

O procedimento administrativo, que outrora foi um empecilho, não é mais problema para a tenente. A apuração, instaurada há dois anos, constatou que Ledur é inocente em quatro dos cinco itens avaliados. Ela somente foi considerada culpada por golpes de nadadeiras contra alunos durante o treinamento. "Salvo melhor juízo, [Ledur] reúne condições de permanecer na ativa do Corpo de Bombeiros Militar do Estado", pontuou o conselho de justificação do Corpo de Bombeiros.

Apesar de ter conseguido decisão positiva dentro da instituição, Ledur ainda é alvo de ação na 11ª Vara Criminal, em razão da morte do aluno durante treinamento liderado por ela. A ação na Justiça, porém, segundo fonte ouvida pela reportagem, pode não ser empecilho para uma possível promoção dela ao posto  de capitão.

Esta é a primeira vez que Ledur participa do processo de promoção – que acontece em junho e dezembro – desde que foi considerada inocente pela instituição. Para conseguir a promoção na carreira, o militar passa por avaliações como período de serviço, análise da conduta e não pode ter problemas de saúde que possam impedi-lo de exercer a função.

Enquanto muitos dos colegas que ingressaram no Corpo de Bombeiros junto com ela já ocupam o cargo de major, Ledur quer ser capitã. O Corpo de Bombeiros informa, por meio de assessoria de imprensa, que não há uma definição sobre as promoções e somente a CPO poderá emitir uma decisão sobre o caso, até o fim deste mês.

O caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), apesar de apresentar excelente condicionamento físico, o aluno Rodrigo Claro, 21 anos, demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

O fato aconteceu no dia 10 de novembro de 2016, durante o treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

Consta na denúncia que, embora os problemas do rapaz tenham chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência". A responsável pelos atos contra o jovem, segundo a denúncia, teria sido Ledur, como forma de punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.

 

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