Ledur volta ao trabalho após mais de 700 dias afastada por licenças médicas

» Mato Grosso

Por RDNews em 15 de Janeiro de 2019 ás 05:30

A tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur retornou ao trabalho após 746 dias (quase 2 anos) de seguidas licenças médicas. Ledur responde a processos criminal e administrativo pelo crime de tortura contra o aluno Rodrigo Claro, que passava pelo treinamento para se tornar soldado bombeiro em novembro de 2016.

A tenente teve o primeiro afastamento concedido em 20 de dezembro de 2016. A última licença se encerrou em 10 de dezembro de 2018. De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, a tenente se apresentou na semana passada e faz trabalhos administrativos. Com o retorno, ela está lotada na Diretoria de Segurança Contra Incêndio e Pânico (Dscip).

A militar tenta se aposentar em razão do longo período de afastamento - ela alega ter depressão em razão da morte do aluno. Militares afastados por período maior do que 12 meses por motivos de saúde podem dar início a um processo para serem “reformados”.

O pai de Rodrigo, Antonio Claro, considera o retorno da militar aos trabalhos uma boa notícia. Com Ledur de volta à corporação, Antonio considera que cai o argumento utilizado pela defesa da tenente de que ela não poderia participar de procedimentos dos processos administrativo e criminal em razão da doença alegada.

“A cada mês, a cada noticiário, a cada nova informação é muito dolorido. Nós queremos resolver isso logo até para diminuir o sofrimento. Mas nós sabemos que não vai acabar nunca.  A nossa luta é para que as pessoas responsáveis por aquele treinamento trágico no dia 10 de novembro de 2016 sejam punidas da forma que merecem e não venham a fazer novas vítimas como aconteceu com nosso filho”, disse ao .

Afogamento e omissão

Ledur e outros dois oficiais do Corpo de Bombeiros foram responsabilizados pela morte do aluno soldado durante treinamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Ela era responsável por 37 alunos do 16º Curso de Formação e responde pelo crime de maus tratos. Ficou constatado que Rodrigo Claro foi submetido a uma série de afogamentos promovidos pela tenente.

Ele morreu em 10 de novembro de 2016 durante o treinamento de atividades aquáticas em ambiente natural. O Ministério Público Estadual (MPE) narra em sua denúncia que, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

 

» Mais Imagens