Mãe de preso relata assédio e castigo em penitenciária

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Por Gazeta Digital em 25 de Julho de 2018 ás 08:30

A mãe de um preso do complexo penitenciário Ferrugem, em Sinop (479 km de Cuiabá), foi assediada moral e sexualmente por uma agente durante o processo de revista no último sábado (21), por volta das 8h00. Catarina Garcia da Silva, 39, relatou ao Gazeta Digital que estava tremula na fila e ao ser revistada pela agente penitenciária identificada como ‘Vanderléia’ foi acusada de portar drogas.

"Eu estava nervosa para ver meu filho, pois não visitava ele há cinco meses e estava tremendo muito. A agente pediu para eu abrir as mãos para cheirar e começou a acusar que estava com cheiro de maconha. Expliquei a ela que não era maconha e sim cheiro cigarro, pois sou fumante", explicou Catarina sob comoção e lagrimas.

Mesmo com a justificativa, a agente persistiu na acusação contra mãe do detento Ricardo Garcia dos Reis, 23, preso por roubo. Catarina implorou para que Vanderleia a levasse para realização de exames a fim de comprovar a ausência de substâncias químicas. “Eu sabia que não estava com droga, eu pedi para ela me levar para UPA e fazer o exame, só que ela me ignorava e me deixou de lado esperando até passar todos da fila”, disse indignada.

Segundo o boletim de ocorrência, após todos entrarem para visitar seus filhos, a agente penitenciária submeteu Catarina a uma “revista minuciosa”, onde foram examinadas as regiões internas de suas partes intimas de forma violenta. Só assim a mãe conseguiu entrar e ver seu filho.

Diante da situação, Catarina procurou a delegacia civil de Sinop para registrar uma ocorrência contra os abusos cometidos, porém os policiais supostamente se recusaram e debocharam do fato. A mãe de Ricardo só conseguiu finalizar o B.O ao retornar para a capital, no domingo (22), na 1º Delegacia Civil de Cuiabá.

Castigo

No mesmo dia (22), detentos que dividem a carceragem com Ricardo pediram para que as visitas avisassem a mãe do jovem, informando que o rapaz teria sido agredido e retirado da cela para ir ao “castigo”. Catarina suspeita que a punição tenha sido motivada pela reclamação feita aos agentes em razão do constrangimento passado ainda na revista, na entrada do presídio.

O Gazeta Digital tentou contato com a direção da penitenciaria Ferrugem, porém, as ligações não foram atendidas.

Nota

A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos emitiu a seguinte nota:

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos informa que vai apurar os procedimentos adotados em relação à visitante Catarina Garcia na Penitenciária Dr. Oswaldo Florentino Ferreira, em Sinop.

Ressaltamos ainda que revista vexatória é proibida por lei e qualquer procedimento em relação a visitantes e custodiados está previsto no Manual de Procedimento Operacional Padrão do Sistema Penitenciário estadual.

Em relação à reclamação de que o custodiado, filho da senhora Catarina, tenha sido agredido, tal acusação não procede. A direção da penitenciária o encaminhará a exame de corpo de delito para verificação.

 

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