Unidades de saúde se recusam a retirar droga da vagina de mulher detida

» Mato Grosso

Por RDNews em 08 de Março de 2018 ás 08:21

Unidades de saúde de Cuiabá recusaram atender uma detida encaminhada pelo sistema penitenciário, que foi flagrada com drogas e chips na vagina na manhã desta quarta (7) na Penitenciária Central do Estado (PCE). G.B.S., de 42 anos, passou pela UPA do Pedra 90, pronto-socorro e o Instituto Médico Legal para a retirada do conteúdo, mas o atendimento foi negado.

 “Na UPA do Pedra 90, ela fez raio-x e foram identificados chips de celular e drogas na vagina, mas os médicos se recusaram a retirar porque essa seria a ordem agora. A mesma coisa aconteceu no Pronto-Socorro de Cuiabá. Só fomos conseguir atendimento para ela no PS de Várzea Grande”, diz o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Mato Grosso (Sindspen-MT), João Batista.

A mulher foi flagrada em revista na PCE, durante o horário de visita nesta manhã. Ela carregava embrulhos de droga e vários chips de telefone celular. O material seria entregue para o marido.

Além da UPA e do pronto-socorro, os agentes prisionais levaram a mulher ao IML e à Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). O primeiro órgão informou que o serviço de retirada cabe à rede de saúde pública, e o segundo que não tem função do tipo.

A recusa da rede de saúde de Cuiabá é um reflexo do tiroteio na UPA Morada do Ouro, em 13 de fevereiro. Cinco pessoas ficaram feridas em troca de tiros entre bandidos, que invadiram o local, e agentes penitenciários que acompanham um preso em tratamento médico. Desde o episódio, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e secretários da força de segurança no Estado trocaram atribuições de culpa pelo ocorrido.

A secretaria municipal de Saúde prefere não comentar a situação. Em nota, informa que a diretora-geral do pronto-socorro, Zamara Brandão, diz que o hospital não pode retirar objetos introduzidos no corpo porque, embora seja atendimento de urgência e emergência, a especialidade é referente a trauma e ortopedia, e não há ginecologista na escala de atendimento. A diretora também alega não ter conhecimento sobre o caso. O mesmo quadro vale para as UPAs. 

“Segundo ela, nestes casos os únicos locais capacitados para atender estas situações são os hospitais maternidades, que possuem tanto os profissionais, quanto os mecanismos adequados, dentre os quais Santa Helena, Júlio Muller e Geral”, traz a nota.

 

» Mais Imagens