Pai diz ter sido acusado injustamente por morte de ex e tenta reencontrar os filhos

» Lucas do Rio Verde

Por RDNews em 04 de Março de 2019 ás 07:45

Desde o assassinato da ex-esposa, há quase cinco anos, o gerente de Tecnologia da Informação Waldemiro Szenezuk Pinto de Arruda, 43 anos, afirma viver a fase mais difícil da vida. Apontado como suspeito do crime, em uma investigação que até hoje não foi concluída e não comprovou a participação dele, o homem perdeu a guarda dos filhos e não vê as crianças há quatro anos. Ele afirma que é inocente.

A servidora pública federal Solange Fátima Willer, 33 anos, trabalhava no INSS de Sinop. No fim da tarde de 14 de junho de 2014, ela entregava os filhos ao ex-marido, em Lucas do Rio Verde – eles estavam separados há seis meses – quando foi morta a tiros. O ex-casal estava nas proximidades da prefeitura do município, onde Waldemiro trabalhava. As crianças presenciaram o crime.

Waldemiro disse à Polícia Civil que a mulher foi morta por dois homens em uma motocicleta, em um possível latrocínio – roubo seguido de morte. Por estar próximo a Solange no momento do crime, ele foi apontado como principal suspeito. O homem não foi preso, pois não havia provas da suposta participação dele no assassinato da ex.

Logo após o crime, as crianças – hoje com nove e 11 anos – passaram algumas horas com o gerente de Tecnologia da Informação. No entanto, naquela noite, os pequenos foram levados por assistentes sociais. “Como eu era o único investigado, não quiseram deixar os meus filhos comigo”, conta.

As crianças foram levadas para o ex-namorado de Solange,  o verdadeiro pai do filho mais velho da servidora. “Ele apresentou um exame de DNA, que não sabemos se é verdadeiro, e disse que é o pai do meu filho. Eu nunca tive certeza sobre a paternidade do garoto, porque nós nos separamos por um período. Mas ainda assim, sou o pai, porque o registrei e cuidei dele”, diz. “Além disso, até hoje não entendi porque a Justiça também mandou a minha filha, pois ela não tem nenhum tipo de vínculo com ele”, afirma o homem.

No primeiro ano depois do crime, Waldemiro se encontrava com as crianças em visitas acompanhas de assistentes sociais. Porém, desde 2015, ele não teve mais acesso aos pequenos. “Não sei como eles estão, nem se estão bem. É muito triste passar por isso. Até hoje me colocam como culpado por um crime que não cometi”, afirma.

“Em nenhum momento, fui indiciado por esse crime, Não teve nada oficial contra mim. Investigaram a minha vida, mas não acharam nada. Olharam minhas ligações, conta bancária e não acharam nada”, acrescenta.

Waldemiro relata que cobrava respostas da Polícia Civil com frequência. “Pedia que encontrassem provas contra mim, para que eu fosse preso, se realmente fosse o culpado. E, depois, que as crianças pudessem ficar com os meus pais ou com os avós maternos. Eu não queria que meus filhos ficassem com o ex-namorado da mãe deles”, diz.

A Polícia Civil limita-se a comentar que o caso continua sendo investigado pela Delegacia de Lucas do Rio Verde. Em resposta aos questionamentos sobre o caso, a assessoria de imprensa da instituição informa que o delegado está de férias e, por isso, não pode passar detalhes sobre as apurações. A entidade não detalha como andam as investigações, nem se há previsão para que o inquérito seja encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).

Mãe de Solange, a cuidadora Eli Regina Muller, 57 anos, critica a demora das investigações sobre o caso. “Há quase cinco anos não tenho uma resposta sobre a morte da minha filha. Foi muito triste o modo como ela morreu e está sendo muito difícil essa falta de respostas da polícia”, declara. Para ela, Waldemiro não é o culpado pelo crime. “Ele sempre negou tudo isso. Como as investigações nunca foram concluídas, porque nunca teve provas contra ele, não acredito que ele tenha matado a minha filha”, diz.

A defesa de Waldemiro aponta que há diversas versões para o assassinato de Solange, que sequer teriam sido investigadas pela Polícia Civil. "Existe uma conversa no Facebook entre ela e o ex-namorado na qual eles discutem e ele diz que ela só está interessada em dinheiro para a pensão do filho. Outro ponto, que não foi apurado, é que testemunhas disseram que o então namorado dela, com quem ela estava após o fim do casamento, era extremamente violento", diz a advogada Joana Amábile Moro, responsável pela defesa de Waldemiro juntamente com o também advogado Daniel Magno Moro Silva.

"Outra situação, também não apurada, é que dois meses antes de sua morte, a Solange tinha feito uma denúncia na delegacia sobre fraudes no INSS, que poderiam desencadear uma série de apurações sobre a atuação de um escritório de contabilidade", completa.

O destino das crianças

Há dois anos, Eli não vê os netos. Ela mora no município de Planalto, no Paraná e costumava vir a Mato Grosso para ver as crianças. “Eu ia para Sorriso e me encontrava com meus netos sempre em lugares públicos. Mas há dois anos, não consigo mais vê-los”, diz a mulher. Ela conta que entrou na Justiça para obter a guarda dos netos, mas ainda não obteve respostas.

“Quero a guarda das crianças, porque é um crime o que estão fazendo, de afastá-las da família. Se não querem entregá-las ao pai, deveriam entregá-las aos avós, não a um desconhecido. Isso é inconcebível”, critica.

Segundo Eli, o ex-namorado da filha se mudou de Sorriso e não informou o destino à Justiça, por isso, ela não consegue mais visitar as crianças. “A Justiça diz que não sabe onde estão meus netos. Contratamos um detetive particular e descobrimos que estão em Matupá, mas ainda assim não conseguimos vê-los. Essa situação é absurda”, declara.

O ex-namorado de Solange era casado quando a servidora morreu. O casal ficou responsável pelas crianças, conforme determinação da Justiça. Eli e Waldemiro relatam que o casal não está mais junto. “A mulher dele já está em outro relacionamento, mas, até onde sei, na Justiça ainda consta que eles estão juntos”, diz Eli.

De acordo com a defesa de Waldemiro, o ex-namorado de Solange e a esposa alegaram à Justiça que ainda estão casados, mesmo separados. Nos autos, os advogados que cuidam da defesa do pai das crianças alegam que o suposto ex-casal afirmou ainda estar junto apenas para que o ex-namorado da servidora pudesse continuar com a guarda das crianças.

A defesa de Waldemiro afirma que os filhos dele sofreram alienação parental, pois o ex-namorado da mulher e Solange teriam convencido as crianças a rejeitarem o próprio pai e os avós. “No começo, as crianças não queriam sair do convívio do pai. Hoje, rejeitam ele e os avós paternos e maternos. Mas esse fato não foi considerado como alienação parental pelo Ministério Público, foi uma situação ignorada”, relata a advogada Joana Amábile Moro.

"Ele não é culpado, especialmente com base no princípio da inocência. Então, por que até hoje não devolveram a criança ao pai?”, questiona a advogada.

Desejo de recuperar os filhos

Desde 2015, Waldemiro deixou Lucas do Rio Verde e se mudou para Apucarana, no Paraná. Ele diz que teve de se mudar porque não conseguiu emprego em Mato Grosso desde a morte da ex-esposa. “Em razão das declarações da polícia, as pessoas acabavam desistindo de me empregar”, relata.

Na nova cidade, conseguiu emprego. Porém, diz que pensou, por muitas vezes em retornar a Mato Grosso, por acreditar que poderia ter mais facilidade para recuperar a guarda dos filhos, caso esteja no mesmo estado que eles.

Na Justiça, ele tenta recuperar a guarda das crianças. Em 18 de dezembro passado, o Ministério Público Estadual (MPE) de Matupá se manifestou contra o pedido de Waldemiro, pois alegou que os menores “estão devidamente inseridos no contexto familiar”.

A reportagem  entrou em contato com o MPE, para obter mais detalhes sobre o caso. No entanto, o órgão não respondeu aos questionamentos da reportagem até a conclusão deste texto.

Para Waldemiro, a conduta do Ministério Público em relação ao caso é inadequada.“Que contexto familiar é esse no qual dizem que estão inseridos os meus filhos? Além disso, colocaram uma assistente social para avaliar o caso, que depois foi afastada. Isso é um absurdo”, critica Waldemiro.

Outro lado

A reportagem tentou contato com a defesa do ex-namorado de Solange, mas não conseguiu contatar o advogado dele até a conclusão deste texto.

 

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