UFMT perde R$ 34 milhões em corte do MEC

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Por RDNews em 06 de Maio de 2019 ás 06:58

A UFMT teve congelados R$ 34 milhões de seu orçamento para este ano no contingenciamento anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) na última semana. O governo reteve 30%, em média, do orçamento destinado às universidades federais. O corte acabou atingindo também instituições de ensino básico e médio do governo federal.

Em comunicado divulgado neste domingo, a reitora da UFMT, Myrian Serra, avalia que o contingenciamento compromete o desempenho da universidade e leva a instituição “à beira de um retrocesso inimaginável”.

“Não é possível pensar em desenvolvimento econômico sustentável desatrelado do desenvolvimento social. Este deve ser capitaneado por políticas educacionais criteriosas, seguidas de perto por investimentos em ciências, tecnologias e inovações. Neste sentido, o ataque ao orçamento das universidades públicas brasileiras é uma agressão frontal a qualquer oportunidade de desenvolvimento do país”, declarou.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) vem destacando que os cortes são temporários e que os recursos poderiam ser novamente destinados às instituições de ensino em caso de aprovação da Reforma da Previdência, que tramita no Congresso.

Myrian, por sua vez, lembra que as universidades federais são responsáveis pela oferta de educação superior em todas as áreas de conhecimento no país. A UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 cidades mato-grossenses. São cinco câmpus e 28 polos de EaD.

Na pós-graduação, são 66 programas de mestrado e doutorado. A instituição de ensino atende um total de 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões do Estado.

A universidade mato-grossense é a 34ª no ranking anual divulgado pela Folha de São Paulo que mede a qualidade das universidades brasileiras. Das 50 mais bem avaliadas, 43 são instituições públicas, incluindo as 10 primeiras.

“Além do ensino de qualidade, o que faz a diferença nestas instituições é o desenvolvimento da pesquisa e extensão de excelência. Somos responsáveis por 85% da pesquisa brasileira. Outra vez, se buscarmos apenas as 10 instituições mais importantes no quesito pesquisa e publicação científica, todas são públicas”, destacou a reitora.

UFMT

Pela avaliação do MEC, que vai de 1 a 5, a UFMT tem atualmente o conceito 4. Myrian disse que a universidade busca a avaliação máxima, mas esbarra na falta de recursos para apoio à pesquisa, à extensão e ao ensino de qualidade, para a conclusão de obras de salas de aula e laboratórios, para compra e manutenção de equipamentos, e para contratação de pessoal.

A contratação de professores e técnicos para novos cursos de medicina em Rondonópolis e Sinop, e também para o campus de Várzea Grande, chegou a ser pactuada com o governo, mas as vagas não foram disponibilizadas para concurso público. A unidade de Várzea Grande, aliás, segue funcionando na estrutura da Capital.

“Professores e servidores técnicos superam este cenário de restrição e atuam exaustivamente para cobrir falhas que não são de sua responsabilidade. A gestão pública precisa ultrapassar os mandatos, cumprir os compromissos assumidos, em todos os níveis, sob pena de recomeçarmos o país, o Estado e municípios e instituições públicas a cada 4 anos”, afirmou a reitora.

 

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