Silval diz que devolveu mais do que roubou e obtém semiaberto

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Por Midia News em 22 de Maio de 2019 ás 06:42

O ex-governador Silval Barbosa rebateu nesta terça-feira (21) as acusações de que seu acordo de deleção premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 2017, teria sido muito “brando”.  Ele falou após uma audiência admonitória no Fórum de Cuiabá, na qual lhe foram impostas medidas cautelares.  Condenado a mais de 25 anos de prisão por organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro, ele ficou menos de quatro anos preso no regime fechado e domiciliar e foi para o semiaberto na semana passada. 
 
“Eu estou devolvendo valor infinitamente maior do que aquilo que me apropriei. Tanto é que estou pagando com bens da minha família adquiridos há mais de 25 anos, para poder honrar o que o MPF, MPE e a Justiça elencaram como valor”, afirmou o ex-governador. Silval cumpria prisão domiciliar desde julho de 2017, após passar 1 ano e nove meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).
 
 Na delação, Silval confessou que, durante sua gestão, foram desviados mais de R$ 1 bilhão dos cofres de Mato Grosso. No entanto, conforme termo de colaboração premiada, ele devolveu ao erário R$ 80 milhões. Ele disse que o montante de R$ 1 bilhão é relativo a todos os esquemas ilícitos cometidos durante sua gestão, e não o valor do qual ele se apropriou.
 
 “Falam que eu desviei R$ 1 bilhão. Não desviei. Por exemplo, dei incentivo de R$ 60 milhões para a [empresa] Martelli. Para onde foi o dinheiro? Lá está na minha delação. Não veio para o meu bolso. As empresas estão devolvendo. A Martelli fez colaboração e está devolvendo, assim como a JBS, Grupo Rede, Votorantim. Empresários que citei estão indo à Justiça e fazendo acordo. Não foi dinheiro que peguei para mim”, completou.
 
“Agora quem tem que devolver, e já estão devolvendo essa diferença que eu relatei  na minha colaboração, são as empresas”, disse. Outro ponto criticado é o pouco tempo que o ex-governador ficou detido. Ao ser perguntado pela imprensa se o crime compensa, Silval disse: “O crime não compensa”. E se diz arrependido dos ilícitos cometidos durante sua gestão. “Me arrependo de ter feito o que fiz, em nome de um grupo político”.
 
O ex-governador passou por audiência admonitória, conduzida pelo juiz Geraldo Fidelis, na tarde desta terça-feira (21), no Fórum de Cuiabá. As medidas cautelares já estavam pré estabelecidas em acordo de delação. Silval deve continuar usando tornozeleira e se recolher em casa das 22h às 6h diariamente. Ele também deverá apresentar comprovação de emprego em sete dias ao juízo. Se não tiver sucesso, terá mais 23 dias para procurar por telefone.
 
Ele já adiantou que deve trabalhar no grupo de comunicação que a família possui, em Cuiabá. “Vou trabalhar na empresa da família, dos meus filhos. Já pedi autorização”, afirmou. Ainda ficou estabelecido que, caso o ex-governador queira participar de cursos, cultos religiosos ou trabalhos em horário divergentes ao pré-estabelecido, deve recorrer ao juízo para devida autorização. 
Caso descumpra alguma das medidas, Silval não mais poderá dormir em sua residência e deverá retornar ao regime fechado.
 
 Também fica proibido de mudar-se de residência; frequentar lugares inapropriados, como casa de prostituição, casa de jogos, bocas de fumo e locais similares; portar armas; ingerir bebida alcoólica e se envolver em outras infrações penais.
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