Silval aconselha ex-juíza confessar crimes em MT

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Por Folhamax em 17 de Abril de 2019 ás 07:00

Antes de uma audiência na tarde desta terça-feira (16) na Segunda Vara Especializada de Direito Agrário, o ex-governador Silval Barbosa aconselhou que sua pior algoz até o momento, Selma Arruda (PSL), responsável por expedir contra ele cinco prisões preventivas, confesse seus crimes em colaboração com a justiça e admita seus erros. Em óbvia alusão a um dos áudios mais famosos da ex-juíza em que ela o manda calar a boca e diz a ele para não medi-la com a régua dele, feito durante um de seus julgamentos, Silval disparou.

“Eu não meço ela com minha régua. Não meço. Ela se julga tão conhecedora, né, da lei e praticar os crimes que foram praticados, pelo menos é o que mostram na imprensa, é muito grave. Agora eu, cometi alguns crimes, e estou colaborando com a justiça. Ela deveria fazer o mesmo, confessar que errou, que fez caixa dois, e uma campanha extemporânea com recursos que só ela sabe explicar. Eu estou tranquilo que estou colaborando com a Justiça. Cometi alguns crimes e, no início, mesmo errado, eu procurei me defender, mas quando vi que eu estava errado, que queria colaborar com a justiça, para que a justiça seja célere, eu colaborei. É o que ela devia fazer, e não arrumar todos os mecanismos pra protelar o processo”, disparou, em tom enfático.

A alusão é ao mandato de senadora de Selma, cassado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por cometimento de caixa dois e abuso de poder econômico. A dura reprimenda da então juíza foi feita quando ele, no banco dos réus, vivendo a prisão no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), foi obrigado a se defrontar com a então juíza da Sétima Vara Criminal da Capital famosa pela truculência com políticos pegos em atos de corrupção, como era o caso. Da parte da senadora, até o momento, há somente negativas dos crimes e o desejo anunciado de tentar reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

MONSTRUOSA

O acordo de colaboração premiada de Silval foi assinado em 2017. Classificado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux como “monstruosa”, a colaboração premiada livrou o ex-governador de penas mais duras relacionadas aos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Silval também fez alusão à fama de linha dura incorruptível de Selma quando juíza, utilizada por ela para conseguir os 646 mil votos com os quais foi eleita, além da proximidade e entrada no partido do atual presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Nacionalmente conhecida por também ter prendido José Geraldo Riva, entre outros políticos, ganhou o apelido de “Moro de Saias”. Para Silval , as pessoas o julgavam e condenavam sem conhecimento concreto das coisas por ele praticadas devido à farta cobertura da imprensa, mas todos os paladinos da moral até agora apresentados no país, palavras dele, agem como Selma agiu. "Todos eles são isso".

Ele continua preso em sua casa em Matupá (distante 685 quilômetros de Cuiabá), desde o final do ano passado. Sua colaboração foi firmada somente quando estava prestes a completar dois anos de cadeia por crimes de organização criminosa, concussão e lavagem de dinheiro. O acordo previa a devolução de algo em torno de R$ 46 milhões em bens. Entre estes, a fazenda  invadida pelo MST. Nos próximos três anos, até 2022, ele deverá entregar de volta ao erário outros R$ 24 milhões à Justiça do total firmado em R$ 70 milhões devolvidos.

 

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