Delegado depõe em processo contra servidor que gravou deputados

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Por Folhamax em 06 de Março de 2019 ás 06:51

O juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da Sétima Vara Criminal, reconvocou dois policiais civis - o delegado Márcio Moreno Vera e o agente João Chagas Martins - a prestarem depoimento em audiência no dia 26 de março de 2019 para prestarem esclarecimentos acerca da conduta do servidor da Assembleia Legislativa (AL), Valdecir Cardoso de Almeida, suspeito de “falso testemunho ou falsa perícia”.

Apesar de o processo não informar detalhes muito precisos sobre o suposto crime, Valdecir teria prestado informações falsas durante investigações da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz). O servidor ficou famoso por ter ajudado o ex-governador Silval Barbosa a gravar deputados estaduais, entre eles o atual prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), recebendo propina dentro do gabinete em 2013.

Valdecir seria o responsável por instalar a câmera que filmou os deputados a pedido do chefe de gabinete de Barbosa, Sílvio Correa.

A intimação do juiz foi publicada na última quinta-feira (27). O processo contra Valdecir foi primeiramente distribuído na Quarta Vara Criminal do TJ, mas o magistrado Lídio Modesto da Silva Filho declarou sua incompetência em julgar o caso argumentando que o local correto seria a Sétima Vara Criminal. Além de intimar para fins de março a audiência, o juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues ratificou todos os atos processuais de seu antecessor.

 “Deste modo, não havendo qualquer nulidade a ser sanada ou providência que impeça o normal prosseguimento do feito, ratifico todos os atos processuais praticados pelo Juízo da Quarta Vara da Comarca de Cuiabá, inclusive os decisórios. Intime-se a defesa para que, no prazo de cinco dias, manifeste se tem testemunhas a arrolar. De outra feita, designo audiência de instrução e julgamento para o dia 26 de março de 2019, às 13h30”, segundo consta nos autos.

CPI do Paletó

O caso foi objeto de uma reportagem do Jornal Nacional em agosto de 2017 e motivou a abertura de uma CPI na Câmara de Vereadores de Cuiabá conhecida como CPI do Paletó.

Valdecir Cardoso, no entanto, prestou uma declaração, autenticada em cartório, dizendo que a suposta propina recebida por Emanuel Pinheiro se referia na verdade a uma dívida que o irmão de Pinheiro cobrava do ex-governador Silval Barbosa (sem partido). Em setembro do ano passado, a CPI do Paletó foi suspensa na Câmara de Vereadores após decisão da Primeira Câmara de Direito Público do TJ.

 

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