Selma Arruda pode ter utilizado verbas indevidas na pré-campanha ao Senado

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Por Gazeta Digital em 26 de Novembro de 2018 ás 07:17

A senadora eleita Selma Arruda (PSL) pode ter utilizado recursos recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para contratar a agência de publicidade Genius Produções Cinematográficas, no valor total de R$ 1,8 milhão para a sua campanha. Isso porque logo após a aposentadoria, o Departamento da Folha de Pagamentos de Magistrados, detectou que a juíza aposentada recebeu indevidamente verbas de auxílio moradia, auxílio alimentação e férias.

As quantias que totalizam R$ 30,9 mil foram pagas antes da aposentadoria, datada do dia 27 de março. Após a notificação, Selma solicitou ao Poder Judiciário que fosse isentada da devolução ou que se fosse parcelado em 30 vezes a devolução.

A magistrada ainda alegou que recebeu os recursos acreditando serem corretos, e que firmou compromissos que precisam de cumprimento. A restituição dos valores aos cofres do Tribunal de Justiça significaria “prejuízos” a toda família de Selma.

Porém, a manifestação ocorreu no dia 23 de abril, 18 dias (5 de abril) após a filiação dela ao PSL e 13 dias (10 de abril) após efetuar o primeiro pagamento de R$ 150 mil do próprio bolso para a agência de publicidade Genius.

A magistrada ainda chegou e repassar outras duas vezes o valor de R$ 150 mil para a agência de publicidade nos dias 4 e 21 de maio, com recursos próprios, mesmo alegando que não ter condições de devolver o dinheiro recebido indevidamente do Tribunal de Justiça (TJMT).

Selma Arruda e o 1º suplente, Gilberto Possamai (PSL), respondem a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral - AIJE, no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) por conta da contratação da Agência Genius. Eles são acusados de ter praticado suposto caixa 2 e abuso de poder econômico durante a pré-campanha.

A juíza aposentada nega as acusações e diz que o contrato com a Genius só foi para “promoção pessoal e auxílio nas palestras que realizou em Mato Grosso”. A referida ação foi proposta pelo candidato derrotado ao Senado, Sebastião Carlos (Rede) e reforçada com outra do ex-vice-governador Carlos Fávaro (PSD) também contra Selma Arruda.

O processo corre em segredo de Justiça e está sob a responsabilidade do desembargador Pedro Sakamoto, que quebrou o sigilo bancário e fiscal de Selma e Gilberto Possamai para apurar as possíveis irregularidades.

Selma Arruda declarou ao TRE durante a campanha que possui R$ 287 mil em bens, valor que representa menos de 20% do contrato estabelecido com a Genius no valor de R$ 1,8 milhão.

 

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