Veja quanto cada deputado recebeu em notas frias, segundo o MPE

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Por Midia News em 04 de Agosto de 2018 ás 09:40

O contador Hilton Carlos da Costa Campos e o ex-servidor da Assembleia Legislativa Vinícius Prado Silveira entregaram ao Ministério Público do Estado uma série de notas fiscais que seriam “frias” e teriam como destinatário deputados e ex-parlamentares, que teriam se beneficiado com um esquema que desviou quase R$ 600 mil das verbas indenizatórias.

A informação consta no pedido de busca e apreensão feito por promotores do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal) e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) ao desembargador João Ferreira Filho, do Tribunal de Justiça.

De acordo com os documentos, o deputado falecido Walter Rabello foi o parlamentar que mais se beneficiou das notas fiscais frias. Ao todo foram R$ 192,7 mil em serviços que não teriam sido prestados. Para ele teriam sido emitidas 27 notas frias. A última nota emitida ao parlamentar data de 20 de outubro de 2014, dois meses antes de sua morte.

Em seguida, aparece o deputado de oposição Zeca Viana (PDT), com R$ 149,5 mil por meio de 23 notas. O terceiro da lista é o deputado Ondanir Bortloni, o Nininho (PSD), que teria se valido de 16 notas, totalizando R$ 93,5 mil. O quarto deputado que mais teria usado das notas sob suspeita foi o ex-deputado e atual prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB). Foram 13 notas frias, que somam R$ 91,7 mil.

Em seguida, aparece o ex-presidente da Assembleia e ex-deputado José Riva, com R$ 56,2 mil, em oito notas. Por fim, estão dois deputados que emitiram somente uma nota. O deputado estadual Wancley Carvalho (PV), com R$ 7,2 mil, e o atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), com R$ R$ 7,1 mil.

Segundo os delatores, ambos não teriam emitido novas notas, pois em 2015 o então presidente da Mesa Diretora da Assembleia, deputado Guilherme Maluf (PSDB), mudou as regras e eles não precisaram mais justificar o gasto com verba indenizatória.

O MPE destaca que em depoimento os empresários investigados Hilton Carlos da Costa Campos, Victor Hugo Alvez, Vinicius Prado Silveira e Gabriel de Oliveira Silveira confirmaram a emissão das notas frias tendo como destinatários alguns parlamentares, ocasião em que ressaltaram jamais terem entregues os materiais constantes nos documentos.

O MPE ressalta que também foram criadas empresas fantasmas exclusivamente para emitir as "notas frias". Estas empresas seriam a V.H Alvez Comércio, registrada em nome de Victor Hugo Alvez; VPS Comércio-ME, registrada em nome de Vinícius Prado de Oliveira; e G.B de Oliveira Comércio ME, em nome de Gabriele Brito de Olivera, esposa de Vinicius.

"E foi o mesmo Vinícius Prado Silveira, que, ouvido pelo Ministério Público, confirmou a ocorrência dos fatos, admitindo ter emitido diversas notas fiscais fraudulentas, lembrando, ainda, que, ‘quando foi procurado para ajudar no esquema de emissão de notas, lembrou-se que o Hilton era contador e fez proposta para ele participar’, confessou que ‘os valores que ele recebia como pagamento variavam de R$ 10% a 12% dependendo do valor da nota e quem efetuava os pagamentos eram os próprios solicitantes, geralmente em dinheiro’”.

 

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