Eder diz que atraso na Arena Pantanal foi ordem de Silval

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Por midianews em 12 de Abril de 2014 ás 08:30

O ex-chefe da Casa Civil e ex-secretário da secretaria estadual extraordinária da Copa em Mato Grosso, Eder Moraes, disse que o governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, ordenou que ele atrasasse os ritmos da obra da Arena Pantanal, a fim de comprometer o prazo original de entrega do equipamento. O governo estadual nega a existência da ordem.

O estádio que está sendo feito pelo governo estadual na cidade de Cuiabá começou a ser erguido em abril de 2010. Seu prazo original de entrega era dezembro de 2012, mas até a data de publicação desta reportagem ainda não estava concluído. No último dia 2, o estádio recebeu seu primeiro jogo oficial, com somente metade das cadeiras de arquibancada instaladas e uma série de trabalhos por serem finalizados.

Éder Moraes esteve à frente da Secopa MT (Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo em Mato Grosso) por um ano, até abril de 2012, quando teria pedido demissão do cargo. Antes disso, foi chefe da Casa Civil de Mato Grosso também por um ano, de dezembro de 2010 a abril de 2012.

De acordo com ele, a ordem teria sido dada para que o equipamento não fosse concluído com muito tempo de antecedência em relação à Copa do Mundo, que começa no próximo dia 12 de junho, e que ficasse deteriorando desde sua conclusão até a Copa.

"Em 2012, o governador (Silval Barbosa) mandou que eu atrasasse a obra, para que o equipamento não deteriorasse com o tempo e não gerasse um custo extra de manutenção", disse Moraes. Apesar da ordem do chefe do Executivo estadual, o então secretário da Secopa MT teria se recusado a atrasar os trabalhos, conforme afirmou, em entrevista gravada ao UOL Esporte:

"Eu contestei isso (a ordem de atrasar a obra). Eu coloquei ao governador que, independentemente do período de manutenção ou não, toda vez que você faz uma redução no ritmo da obra, você desmobiliza. E para você mobilizar novamente leva um tempo para fazer essa adequação. Então, na minha concepção, era um risco alto. Então, enquanto eu estava secretário, eu não fiz isso"

De qualquer maneira, fato é que a obra está atrasada em mais de um ano em relação à sua data de entrega original. O que teria levado a este atraso, na opinião de Eder Moraes? "Logo na sequência (da solicitação do governador), eu deixei a secretaria, e não sei se o Maurício (Guimarães, atual secretário da Secopa) atendeu, mas, pelo jeito, atendeu a essa recomendação".

O UOL Esporte procurou as autoridades de Mato Grosso para que se pronunciassem a respeito. Segundo o governo estadual, não houve ordem para qualquer atraso na obra da Arena Pantanal. Em nota, a Secopa MT afirma que "o secretário Maurício Guimarães, da Secopa de Mato Grosso, nunca recebeu tal ordem por parte do governador de Mato Grosso, Silval Barbosa. Os atrasos na obra da Arena Pantanal ocorreram por diversos fatores já elencados publicamente, ajustes de projetos, entre outros".

O custo inicial da Arena Pantanal, em contrato assinado em 2010 entre o Estado de Mato Grosso e o consórcio construtor liderado pela empreiteira Mendes Júnior, era de R$ 342 milhões. Atualmente, está em R$ 570 milhões. Se for levada em consideração a previsão de gastos com as estruturas provisórias que serão montadas para a Copa, que serão integralmente pagas pelo Estado de Mato Grosso, o custo total alcança R$ 605 milhões.

As relações de Eder Moraes com os círculos de poder de Mato Grosso vêm de longa data. Começaram há 12 anos, quando o governador do Estado era Blairo Maggi. De lá para cá, ele já foi presidente da MT Fomento, agência financiadora de políticas públicas do Estado mato-grossense, secretário da Fazenda, chefe da Casa Civil e secretário da Secopa MT.

Quando deixou a Secopa MT, em abril de 2012, afirmou que o estava fazendo em virtude da quebra de acordos que teria feito com políticos locais. Segundo Moraes declarou à época, existia um acordo costurado em 2010 para que ele assumisse uma vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso assim que deixasse o governo.

O acordo não teria sido cumprido, e Moraes passou a dar declarações à imprensa cuiabana ameaçando divulgar informações que deixariam políticos locais em situação difícil. No mês passado, ele afirmou a um veículo local: "Fiz acordo com homens e não com saco de batatas. Se o acordo for desfeito, que venham falar comigo. Do contrário, vou convocar a imprensa para coletiva e falar tudo o que sei", disse ele.

Uma vaga no TCE-MT garantiria a Eder Moraes foro privilegiado em processos judiciais que viesse a responder, além de remuneração equivalente à de desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado, que ultrapassam R$ 25 mil mensais.

Ao UOL Esporte, disse que o estádio "é uma pérola", mas que precisa ser privatizado: "Os clubes de futebol de Mato Grosso não têm como garantir a viabilidade econômica do equipamento, por isso mesmo foi feita uma arena multiuso. É preciso encontrar um investidor da iniciativa privada que esteja disposto a colocar Cuiabá no circuito dos grandes eventos internacionais, como lutas de UFC e shows musicais".

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