PF prepara operação para fechar garimpo e retirar invasores de área

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Por RepórterMT em 11 de Novembro de 2018 ás 06:24

A Polícia Federal (PF) deu um ultimato para que os garimpeiros saiam da Fazenda Dardanelos, que nas últimas semanas foi invadida por um contingente de quase três mil pessoas, em uma corrida frenética pelo ouro no município de Aripuanã (a 956 km ao Nordeste de Cuiabá). O local ganhou o apelido de “Nova Serra Pelada”.

Os garimpeiros têm no máximo até a próxima sexta-feira (16) para sair da área, que fica a 10 km da cidade. Caso insistam em ficar, a PF avisou que vai fazer uma operação para retirar os invasores do local, já que a atividade de garimpo foi considerada ilegal pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).

A informação é do prefeito de Aripuanã, Jonas Rodrigues da Silva (PR), conhecido como “Jonas Canarinho”. Ele participou de uma audiência pública na quinta-feira (8), na Câmara de Vereadores da cidade, que contou com a presença de membros do DNPM, da PF e dos garimpeiros que estão organizados em cooperativas.

“A PF e o DNPM falaram para os garimpeiros saírem do local o quanto antes. E a Polícia Militar já está fazendo uma operação na porteira [entrada do garimpo] impedindo que as pessoas retornem ao local: quem sai não entra mais. E na semana que vem quem continuar por lá será retirado por uma operação”, destacou o gestor.

Canarinho observou que muitos estão saindo por conta própria ao perceberem “que não há tanto ouro na região como foi propagado em notícias pelas redes sociais”.

Canarinho ponderou que existe, sim, muito ouro no local, mas ele está dentro das rochas, em áreas subterrâneas: “É o que a gente chama de ouro de filão, que é vertical, e pode ficar até a 10 metros de profundidade, sendo necessários equipamentos específicos para explorá-lo”.

Segundo o prefeito, a maioria dos garimpeiros fizeram uma exploração rudimentar chamada de “sequeiro”, que atinge apenas a superfície da área. No começo eles acharam algumas pepitas de ouro, mas depois o metal só era encontrado em escavações mais profundas. “Por conta disso, muito desistiram e retornaram para casa”, afirma.

Canarinho destaca que a notícia do garimpo atraiu pessoas de outros países. Houve registro principalmente de peruanos, bolivianos e venezuelanos. O garimpo também foi frequentado por gente de várias partes do Brasil, das regiões Nordeste, Norte e também do Sul.

Na época de maior movimentação, Canarinho lembra que o local chegou a contar com quase três mil pessoas. Atualmente há cerca de 400 pessoas na área.

O garimpo gerou grande movimentação no comércio, principalmente nos setores de combustível, alimentação e material de construção, quando muitos garimpeiros compraram pás, enxadas, peneiras e carrinhos de mão para fazer a cata do ouro.

Por outro lado, a Polícia Militar não registrou aumento no índice de criminalidade com a chegada dos garimpeiros na cidade. “Eles se organizaram em cooperativas e combinaram para não ter violência entre eles”, afirmou o prefeito. 

O solo de Aripuanã é rico em minério. Além do ouro, há muita prata na região. A exploração de garimpo no município ocorre desde a década de 1970.

 

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