Construção de 10 mil casas populares em MT pode parar com cortes

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Por RDNews em 14 de Maio de 2019 ás 07:20

A construção de 10 mil moradias da faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em Mato Grosso está comprometida com o contingenciamento de 33% no orçamento do Ministério do Desenvolvimento Regional. Com os cortes promovidos pelo Governo Bolsonaro, os recursos da pasta baixaram de R$ 6 bilhões para R$ 4 bilhões neste ano, sendo que na Lei Orçamentária de 2019 a previsão era de R$ 4,1 bilhões só para o programa habitacional.

Preocupados com o corte, os empresários da indústria de construção no Estado avaliam que com este cenário as obras devem ser paralisadas até agosto deste ano, o que deverá instalar uma nova crise no setor, semelhante a que aconteceu em 2015.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção do Estado (Sinduscon-MT), Júlio Flávio de Miranda, relata que a preocupação com o corte no orçamento do MCMV vai prejudicar em cheio o setor no Estado. “São pelo menos 10 mil casas da faixa 1 e mais 10 mil casas das faixas 1,5, 2 e 3, que poderão ficar paralisadas ou comprometidas, respectivamente. Hoje, os recursos provindos do Governo Federal somam cerca de 7% do programa, o restante é subsidiado pelo FGTS. No caso do FGTS os recursos estão em dia. O problema é que precisamos de previsibilidade. O empresário precisa ter segurança do orçamento que terá em um ano. Não dá para fazer planejamento dessa forma”.

Famílias com renda até R$ 1,8 mil são beneficiadas com a faixa 1, que consiste em financiamentos de até 12 meses, com prestações mensais que variam entre R$ 80 e R$ 270. Com renda até R$ 2,6 mil, a família se enquadra na faixa 1,5, com taxas de juros de 5% ao ano e financiamento em 30 anos, mais subsídios de R$ 47,5 mil pela Caixa Econômica. Na faixa 2 são enquadradas as famílias com renda de até R$ 4 mil, e subsídios de até R$ 29 mil. Na faixa 3, são enquadradas famílias com renda de até R$ 7 mil, com taxas diferenciadas.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo Oliveira, os impactos para o setor caso parem as construções do MCMV são alarmantes. “A construção civil é muito intensiva no uso de mão de obra, tem uma capacidade muito grande para gerar postos de trabalho formais e terceirizados. Movimenta muito a economia local. O MCMV tem alta sustentabilidade, tem baixa inadimplência. Parece que a estratégia de contingenciamento dos recursos para este ano não vai levar sucesso ao setor”.

A coletiva realizada na manhã desta segunda (13), no auditório da FIEMT, contou com presença do senador Jayme Campos (DEM), do vice-líder do Governo na Câmara, deputado José Medeiros (Pode) e do coordenador da banca federal por Mato Grosso, Neri Geller (PP), além de empresários e trabalhadores do setor da construção. 

Jayme criticou o Governo Bolsonaro, disse que está sem bussola, e que está na hora de serem tomadas medidas concretas, e não de um governo feito pelas redes sociais. Já Geller avaliou que o governo precisa olhar com mais pontualidade para as questões econômicas. Por fim, Medeiros sugeriu a realização de uma audiência pública mista no Congresso com presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, para que seja apresentada a demanda do setor.

 

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